A
rouquidão pode ser definida como qualquer mudança vocal ou a dificuldade de
produzir som ao tentar falar. Ela pode ser aguda (curta duração) ou crônica
(longa duração).
Normalmente
é causada por um problema nas cordas vocais, como um inchaço da laringe. Se a
rouquidão permanecer por semanas, recomendamos que procure um médico
especialista pois pode se tratar de um caso mais grave como o câncer de
laringe.
As principais causas da rouquidão são:
- Refluxo;
- Alergias;
- Câncer
de laringe;
- Tosse
crônica;
- Resfriados
ou infecções;
- Fumar
e beber em excesso;
- Uso
abusivo da voz.
O
descanso e tempo podem melhorar a rouquidão, caso seja do tipo aguda.
Umidificadores de ar, se hidratar, chás, sopas, gargarejo com água morna e sal,
entre outras medidas caseiras, podem ajudar a melhorar a rouquidão.
O
tratamento varia de acordo com a causa da rouquidão:
- processo inflamatório:
laringite viral, bacteriana ou outras - disfonia que resolve em um período de
até dez dias. A orientação básica é hidratação intense, repouso vocal (não
falar nada por pelo menos três dias), cortar alimentos ácidos e com cafeína e
comer maçã. Se não houver melhora em uma semana, deve-se procurar um especialista.
- lesões nas cordas
vocais - cisto, sulco, pólipo, granuloma e papiloma - Paciente com rouquidão de
longa data sem melhora com tratamento clínico. O tratamento pode ser clínico
com sessões de fonoterapia ou cirúrgico de acordo com o caso.
- Tumores benignos ou
malignos - mais comuns em homens de meia idade, relacionados ao tabagismo e
etilismo. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor e mais simples será o
tratamento, que pode envolver desde uma cirurgia minimamente invasiva, até
cirurgias intensas, radioterapia e quimioterapia, portanto, sempre que alguém
tiver alguma alteração na voz, um otorrinolaringologista deve ser consultado
para uma avaliação, sendo que a detecção pode ser feita pela Laringoscopia e
confirmada por Biópsia em Centro Cirúrgico.

Mito: para projetar a voz, é só falar alto
Projetar a voz depende de técnica, enquanto falar alto pode ser prejudicial à
saúde vocal e te deixar rouco. "Uma voz projetada e
forte depende de um bom aporte pulmonar e de articulação ampla e precisa dos
sons", explica a fonoaudióloga Maria Lucia Dragone, Coordenadora do
Departamento de Voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa).
Treinamentos e técnicas oferecidas por um fonoaudiólogo podem auxiliar no
desenvolvimento dessas funções.
Mito: quando estamos roucos, o melhor é sussurrar
Jamais! Segundo a fonoaudióloga Anna Alice Almeida, da Sociedade Brasileira de
Fonoaudiologia, o sussurro pode provocar tensão da laringe na tentativa de
bloquear a passagem do som. "Na rouquidão
ou afonia, poupe a voz - usando-a somente quando necessário -, procure
articular bem as palavras e hidrate-se", recomenda. A ingestão de goles de
água ao longo do dia faz muita diferença.
Mito: é normal um professor ficar rouco ou cansado
sempre
Não importa se a pessoa usa muito a voz na profissão - ficar rouco com
frequência é um problema que precisa de atenção. "A rouquidão exige um
esforço a mais para falar, porque a corda vocal está 'pesada', lesionada, e
causa desgaste", explica a fonoaudióloga Marta. Essa lesão também pode
indicar doenças, como câncer de laringe, ou mesmo ser indício de que a pessoa
faz força demais para falar - o que não é necessário. Por isso, se a sua
rouquidão persistir por mais de 15 dias, procure um médico ou fonoaudiólogo para
verificar se há algum problema.
Mito: pastilhas, sprays e balas de hortelã ou gengibre
ajudam a manter a voz saudável
Segundo a fonoaudióloga Marcia Menezes, professora da Universidade de
Guarulhos, essas soluções dão uma sensação de conforto temporário. "Na
maioria das vezes, possuem componentes anestésicos que só camuflam o sintoma da
disfonia (distúrbio da voz)", explica. Passado o efeito de anestesiar a
dor, a inflamação e a rouquidão continuam. "Sprays devem ser usados,
portanto, apenas quando prescritos pelo médico e em casos específicos, como de
inflamações das vias aéreas", recomenda a fonoaudióloga Maíra Padilha,
também da SBFa.
Mito: mel e limão e vinagre e sal são boas soluções
caseiras para a voz
As fonoaudiólogas são unânimes: não há comprovação científica de que essas
alternativas realmente beneficiam a voz. Na verdade, essas combinações devem
ser evitadas. A fonoaudióloga Maria Lúcia conta que apenas o mel, consumido
sozinho, pode ser um lubrificante da garganta, da faringe e da boca. "Mas
o limão, o vinagre e o sal ressecam as mucosas e não devem ser usados com
objetivos vocais", alerta.
Mito: café e chá preto deixam a voz mais limpa
Marcia Menezes conta que essas bebidas costumam agredir o estômago. "Como
muitas vezes as disfonias estão relacionadas a quadros de refluxo, que irritam
a laringe, o café e o chá preto indiretamente podem não fazer bem à voz",
explica. A fonoaudióloga Marta também lembra que esses líquidos devem ser
evitados, principalmente, por cantores e atores: "Bebidas quentes podem
ser vasodilatadoras, ou seja, dilatam os vasos sanguíneos e provocam edemas,
inchaços nas pregas vocais que favorecem apenas os tons graves, prejudicando os
agudos".
Mito: tomar goles de bebida alcoólica ajuda a aquecer
a voz
A ingestão ou gargarejo de conhaque, uísque ou qualquer outra bebida com álcool
irrita os tecidos da laringe e reduz a sua sensibilidade, causando a ação
imediata de anestesia. "Desse modo, a pessoa não sente o esforço e pode
cometer um abuso vocal, acreditando erroneamente estar falando ou cantando
melhor", conta Anna Alice Almeida. O resultado desse exagero é um desgaste
ainda maior da voz, com lesões, inflamação, dores e rouquidão.
Mito: quando há secreção na garganta atrapalhando a
voz, é melhor pigarrear
Pigarrear faz com que ocorra um forte atrito entre as pregas vocais, ou seja,
uma batida forte entre as "cordas vocais". "Quando esse efeito é
constante, pode não só prejudicar a saúde vocal como contribuir para o
aparecimento de lesões nas pregas, pois o atrito provoca irritação e descamação
do tecido", alerta a fonoaudióloga Maria Lúcia. Para limpar e acabar com a
secreção, a melhor forma é seguir o tratamento recomendado pelo médico e beber
pequenos goles de água a cada 15 minutos.
Lembre-se
sempre que qualquer caso de alteração na voz por mais de cinco dias deve ser
encaminhado para avaliação da voz por um especialista.